Em visita ao Bruxo
E o Rio de Janeiro continua lindo... ou não...
Voltando à cena, baterias até que recarregadas, pronto para manifestar em 2009. Ah, gente, que final de ano glorioso. Nem sei por onde começar, talvez, pelo fim. As catorze horas de sono ininterruptas que tive ao voltar da cidade maravilhosa purgatório da beleza e do caos foram as melhores que já tive em muito tempo, nada havia que me acordasse da terra em que estava. Sonhava.
Sonhava que estava no morro, como aquilo me impressionou, a festejar não sei o que. Num instante éramos cercados pela milícia da favela e transformados em reféns, ao longe se ouvia uma televisão. Um programa sobre as cobras mais venenosas do mundo e como se o narrador deste programa fizesse a vez do narrador de meu sonho, cada movimento da cobra em direção a sua presa era mimetizado por uma força que não podia ver, apenas sentir. Era o BOPE, os homens de preto que agiam como aquela cobra; cada respiração, cada suspiro narrado meticulosamente pelo narrador da tevê até o fatídico momento em que a cobra deu seu bote. Disparos sobre disparos, berros e gritos e sangue, muito sangue por todas as superfícies. Presenciávamos a ação de uma força da natureza, não contávamos, todavia, com a retaliação da milícia. Uma granada caseira veio em minha direção e... sim, acordei diante do pesadelo da explosão gritando por socorro. Acordei em frente à tevê de meu quarto, nela um programa sobre os animais mais peçonhentos da polinésia. A naja estava ali a engolir sua presa, esticando suas mandíbulas num espetáculo medonho de voracidade. Jogasse no bicho, diriam alguns. Outros prefeririam a desculpa de desejos reprimidos. Digo que aquela cidade entrou em minha cabeça e tão não há de sair.
Sobre os fogos, os passeios, as baladas, as escapadas sexuais e tudo mais, consultem diretamente este que vos escreve; fotos, filhos, é que não existem. Câmeras, deixei-as aqui, assim como tantas outras coisas que ao retornar encontro ainda inacabadas. Cuido de as colocar em dia. Vamos ao novo ano. E tudo de bom para todos nesse ano que já nasceu.
Agora, com licença, que vou ali dar o cu...
Escrito por Murilett às 22h23
[ ]
[ link ]
|